Envelhecer bem?

Photo by Alex Harvey on Unsplash

Queria dedicar meu primeiro post a um tema que me apaixona e qual seguramente irei tratar muitas outras vezes.

E então começamos com algumas perguntas:

Você sabe quando começa a envelhecer?

Alguma vez se preocupou com o envelhecimento?

Quando é um bom momento para começar se preocupar, ou, melhor dito, se ocupar para ter um bom envelhecimento? Existe um bom envelhecimento?

Pois é, o inicio do envelhecimento começa logo após a maturidade sexual, isto é, entre os 25 e 35 anos. Acredito que você que está lendo, ou já alcançou ou está prestes a chegar a esta idade, não é? A partir desse momento, começa um processo lento de mudanças, entre as quais estão algumas perdas, mas também alguns ganhos. Sim, ganhos! Nem tudo é perda na velhice, e isso é uma boa notícia que merece ser espalhada.

Se você considera envelhecimento como sinônimo de decadência, você não esta só. Porém, o conceito de envelhecimento vem mudando desde os anos 1970, quando se descobriu através de testes que no envelhecimento existem funções que permanecem basicamente intatas, como a memória implícita, e outras que até melhoram, como o vocabulário.

A verdade é que até há uns 115 anos (o qual é muito pouco, considerando que a civilização, como a conhecemos, tem ao redor de 6, 000 anos), a expectativa de vida nos países desenvolvidos não superava os 45 anos. Segundo relatório da OMS, no ano de 2015 a expectativa de vida mundial já era, em média, de 71.4  anos. Isto quer dizer que “ser velho” é um conceito bastante novo.

Esta temática vem ganhando destaque devido ao crescimento rápido da população idosa e às suas alarmantes projeções. Por exemplo segundo o aplicativo de projeção da população do IBGE, até o ano de 2030 a população maior de 65 anos terá aumentado exponencialmente. Hoje em dia, o tema da aposentadoria tem aumentado a preocupação sobre como, socialmente, iremos responder a essa mudança da pirâmide geracional, onde os maiores de 65 anos, pouco a pouco, estão aumentando seu espaço na distribuição populacional, de maneira que em futuro próximo teremos uma ocupação equitativa entre as diversas faixas etárias.

Então o que fazer ao respeito? Considerando que, junto com a velhice, vem, sim, um deterioro físico e cognitivo, assim como maior vulnerabilidade a doenças crônicas e degenerativas, a comunidade científica e os governos vêm incrementando os esforços para construir programas que permitam tanto adiar o deterioro, como tratar as doenças que produzem dependência.

Parte do esforço vai destinado a compreender o que é envelhecimento saudável, para logo conseguir identificar precocemente o que não é “normal” ou esperado no processo de envelhecimento. Então, de uma forma bastante resumida, envelhecimento implica um deterioro em funções, como em alguns tipos de memória (episódica), velocidade de processamento, funções executivas e outras habilidades, mas com pouca influência nas atividades da vida diária, ou seja, o sujeito consegue manter sua autonomia.

Ante o envelhecimento, é possível ter uma atitude proativa. Assim como na infância se realizam atividades para estimular o desenvolvimento, durante a velhice podemos adotar atitudes e levar a cabo atividades que ajudem a nosso sistema nervoso e nosso corpo em geral a se manterem saudáveis durante mais tempo. Dentre elas, está uma alimentação saudável, exercício fisico frequente, vida social ativa e atividade mental desafiadora e estimulante.

Do ponto de vista da neuropsicologia, existem atividades de estimulação e treino cognitivo que contribuem à manutenção e até à melhoria de funções, pois é sabido que nosso sistema nervoso se mantém plástico até na idade avançada, nos permitindo aprender novas habilidades e reforçar estratégias para adiar o deterioro e prolongar a autonomia.

Em breve, irei aprofundar sobre este tema, em particular sobre como explicamos as grandes diferenças interindividuais.

Referencia: MALLOY-DINIZ, L. F.; FUENTES, D.; COSENZA, R. M. (Org.). Neuropsicologia do envelhecimento: uma abordagem multidimensional. Porto Alegre: Artmed, 2013. 456p.

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